Heroínas seminuas ganham nova roupagem

A editora americana Dynamite está reformulando a equipe de roteiristas de três de suas histórias em quadrinhos mensais e aproveitando para mudar o visual de personagens icônicas. Red Sonja, Vampirella e Dejah Thoris terão seus bikinis substituídos por armaduras e roupas com visual esportivo e funcionalidade mais prática. Gail Simone, agora ex-roteirista de Sonja, deixou uma trama central pronta para as três, que deve manter a linha de “mulheres duronas chutadoras de traseiros”, aspecto em comum das protagonistas.

 Fora o bikini, venha o side-boob?
© Dynamite

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Pode parecer revolucionário, mas não se engane: a Sonja já usou outras roupas antes, várias vezes, e até mais ainda do que nessa reformulação. E não estou falando em casos de clima inóspito – as aventuras de Red Sonja na neve – mas de calças e camisas. O motivo era quase sempre o mesmo, a personagem aparentemente nota que está seminua, e, numa auto-crítica bem-humorada, resolve vestir roupas de verdade.

Não me incomodo em reformulações de visual, mesmo quando o objetivo é neutralizar a sexualidade excessiva de alguém – se o treco fica cool, é cool e pronto. Mas essas mudanças politicamente corretas sempre vão esbarrar na única questão que realmente importa, que afeta a vida de todos os envolvidos diretamente na obra, que move montanhas e mares: vai vender mais, ou vai vender menos?

E você sabe qual a resposta. Até a Poderosa (Power Girl, no original) da DC Comics, famosa por seus trajes indecentes, já teve seu decote apagado e curvas amenizadas, para retornar ao normal após algumas edições. Quando você força um novo visual mais conservador sexualmente, pode conseguir alguns novos leitores entre o público feminino ou masculino que seja politicamente engajado com essa causa; mas o número que vai perder de leitores que (a) se irritam com qualquer tipo de influência política em seu entretenimento ou (b) gostam de ver mulheres seminuas lutando, sempre é superior. E quão valiosa é sua ideologia quando isso vai lhe custar dinheiro? Para o autor pode valer a pena, para o dono da editora, provavelmente não.

Mas também não estou dizendo que seja impossível fazer uma personagem feminina popular sem uma roupa indecente. O problema me parece estar na mudança. Se ela começa com mais roupa, ninguém vai reclamar se o uniforme mudar de cor, trocar de calças, colocar um chapéu, etc (a Batgirl é um excelente exemplo – nunca usou um bat-bikini, e sempre foi popular). Mas se ela era uma semi-nudista ao ser lançada, é praticamente impossível colocar uma roupa sem sofrer consequências monetárias.

Aproveito para recomendar o anime Kill La Kill, que pega esse clichê da heroína seminua e leva-o para um extremo: na série, quanto menos roupa a protagonista usa, mais poderosa fica! Sim, obviamente é uma comédia (de ação, mas comédia). Também usam o insano conceito de que pessoas não usam roupas, mas que as roupas usam as pessoas. Assista se puder, é hilário e divertido, além de ser um dos poucos animes no Netflix brasileiro.

Fonte: Bleeding Cool

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