Sinopse: Vários séculos no futuro, a vida humana está cada vez mais barata. Se alguém te matar, basta garimparem o seu cérebro em busca de um chip, devolver o conteúdo para um computador e baixar sua personalidade e memórias dentro de um corpo novo. Caso você tenha dinheiro para isso, claro. Para os menos afortunados, algumas décadas de existência virtual são a alternativa. Melhor do que morrer, provavelmente.
Takeshi Kovacs é ou era membro de um exército mercenário de elite, operando em vários planetas. Depois que ele e sua parceira são mortos antes de uma missão, acorda no dia seguinte (60 anos depois, na verdade), na Terra. Um dos bilionários mais poderosos do planeta e vizinhanças quer contratá-lo para descobrir a verdade por trás de um crime: por que ele se matou? O que teria levado um sujeito rico o bastante para fazer backups diários e ter vários corpos sobressalentes explodir o próprio crânio? Ou teria ele sido assassinado, como prefere acreditar, apesar de todas evidências apontarem o contrário?
Capa:

© Del Rey
Trecho:
“The personal, as everyone’s so fucking fond of saying, is political. So if some idiot politician, some power player, tries to execute policies that harm you or those you care about, take it personally. Get angry. The Machinery of Justice will not serve you here – it is slow and cold, and it is theirs, hardware and soft-. Only the little people suffer at the hands of Justice; the creatures of power slide from under it with a wink and a grin. If you want justice, you will have to claw it from them. Make it personal. Do as much damage as you can. Get your message across. That way, you stand a better chance of being taken seriously next time.”
Pontos altos: Richard K. Morgan sentou-se um dia na sua escrivaninha e fez uma lista magnífica de coisas que ele gostaria de ver no futuro e outras que ele deve achar que serão inevitáveis. E nesse exercício ele criou ou popularizou conceitos de cyberpunk que influenciam obras nesse gênero até o dia de hoje. Desde o comportamento da sociedade no futuro, a estética, religião, economia, tecnologia… Altered Carbon deve ter rendidos algumas monografias nas mãos de sociólogos por aí.
Outra coisa que me espantou são as cenas de sexo, descritas em detalhe, específicas e demoradas. Apesar de a maioria das minhas leituras serem geralmente recomendadas para adultos, fazia tempo que não lia alguém tão sem medo de escrever sobre sexo.
Pontos baixos: Mencionei que Altered Carbon é um livro policial? Acho que passei essa ideia na sinopse, há alguns parágrafos. Curiosamente, eu vivia esquecendo desse fato enquanto lia. O futuro criado pelo autor é deslumbrante, e, aparentemente, até ele se deixou distrair com tudo que ia criando e explicando em cada capítulo. Como livro policial, esse não funciona muito bem – honestamente, é a parte mais fraca da trama. Kovacs tira conclusões com pouquíssimo material, e parece nunca errar um palpite. Todas as pistas que investiga de algum modo se conectam ao crime principal, mesmo que às vezes fique a impressão que ele próprio force essas conexões.
Pontuação final: 751. Futuro incrível, trama meio chata.
Características:
Altered Carbon
Richard K. Morgan
Del Rey
544 páginas
US$ 7,99 (Amazon)








