E nesta sexta-feira (8) o Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional lançaram o Programa de Bolsas de Tradução e Publicação de Reedições. Trata-se de uma verba de R$ 12 milhões para estimular a tradução de livros brasileiros para o exterior, bem como republicar livros fora de catálogo. O dinheiro público vai ser pingado em bolsas de US$ 1 mil a US$ 8 mil por trabalho inédito e até US$ 4 mil para editoras que publicarem coisas velhas. O tutu deve ser distribuído durante os próximos 10 anos.
É claro que de cara a reação é a indignação. A literatura recebe tão pouca atenção e cuidados dentro do país, mas vamos gastar milhões de reais para estimular a leitura no exterior? Daí, você olha os valores nanicos da coisa toda, e começa a imaginar se vão mesmo conseguir gastar a verba. Afinal de contas, ganhar mil dólares para traduzir & publicar um livro cobriria os gastos com alimentação dos envolvidos e olhe lá. Sem falar nas restrições, lendo o edital você descobre pegadinhas, como, metade agora e metade quanto estiver pronto: “b) 2ª parcela: 50% da Bolsa, após o recebimento, pela Fundação Biblioteca Nacional, de 10 (dez) exemplares da obra publicada pela Editora”.
Espertinho o Minc, não? E a coisa piora, a editora tem apenas 18 meses para entregar os tais 10 exemplares prontos e publicados, e ainda por cima se comprometem a colocar no prelo no mínimo 1000 cópias do livro. Os 8 mil dólares já viraram fumaça nessa etapa. E se o livro não der certo? Tem que devolver toda a bolada para o nosso governo brasileiro.
O programa foi anunciado durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), e pela quantidade de cobertura que teve, deve ter sido um dos pontos altos. Considerando que o brasileiro mais famoso foi o João Ubaldo Ribeiro, não me espanto. Pelo menos o James Ellroy estava lá, e o sujeito é bem famoso pelos seus livros policiais. Ao menos um dos gêneros que aprecio conseguiu um pouco de reconhecimento.
Mas voltando ao farol gigante que é o Programa de Bolsas de Tradução e Publicação de Reedições, depois de ler o edital, fiquei quase convencido que o treco não passa de uma propaganda enorme, pouco eficaz e que pouco vai nos custar no final das contas. Exceto por este trecho: “18. Não há número máximo de inscrições de projetos de tradução e publicação por editora”. É claro que para alguém realmente fazer alguma mutreta aproveitando esse aspecto do programa, primeiro precisaria atingir todos os requisitos do termo de compromisso, e ainda assim daria no pé com apenas metade do valor das bolsas. Existem modos mais simples e lucrativos de enganar o governo, imagino.






















