Sinopse: Fawn esta fugindo de sua casa, uma modesta fazenda em um reino fantástico e sem nome. Seu destino é a cidade vizinha de Glassforge – conhecida justamente por seus vidros artesanais – onde ela pretende conseguir um emprego e passar o resto da sua vida de maneira pacata e anônima. Esse plano é destruído no mesmo dia em que encontra Dag e sua patrulha, indo em direção semelhante, mas em busca de bandidos e de uma criatura capaz de consumir a vida de tudo ao seu redor. Algumas coincidências depois, os dois personagens estão juntos, enfrentando desafios terríveis e absurdos, em situações que jamais teriam imaginado possíveis.
Capa:

© HarperCollins Publishers
Trecho:
“A block farther on, the mud gave way to cobblestones, and beyond that, brick. A town so rich they paved the street with brick!”
Características:
Beguilement (The Sharing Knife, Book 1)
Lois McMaster Bujold
HarperCollins Publishers
389 páginas
US$ 5,99 (Amazon)
O resto desta resenha contém spoilers!
Ponto alto: Beguilement (trapacear ou enganar, traduzindo livremente) tem um formato bem estranho – a primeira metade do livro é cheia de cenas de ação, com a luta contra os bandidos, o duplo sequestro de Fawn e a morte do monstro que estavam caçando, sem falar nos dias à beira da morte para a jovem protagonista. Depois disso temos o interlúdio romântico e a metade final da história trata exclusivamente de Dag convencendo os pais de Fawn a consentir em um casamento, e se adaptando o máximo que pode às tradições e crenças destes fazendeiros, para finalmente irem embora, felizes e contentes.
No meio da leitura, fiquei bem perdido, esperando alguma coisa dramática acontecer no ato final, mas o auge é realmente o casório. Qual seria a grande ideia então? Será que o romance é o objetivo derradeiro dessa série? Mas daí me dei conta: no início temos Fawn entrando no mundo de Dag, o patrulheiro assassino de uma mão só; no final é Dag quem entra no mundo de Fawn, um lugar cheio de preconceitos e superstições. Ambos precisam derrotar um obstáculo tremendo para conquistar um ao outro – ela, um monstro, ele, um tabu. Que estrutura fascinante.
Ponto baixo: Então o livro tem duas partes, que a autora busca equilibrar, dando importância tanto ao desafio físico quanto ao social. Eu diria que ao invés da divisão ficar 50/50, está mais para 60/40, pendendo para a primeira metade de Beguilement. Felizmente, Bujold possui a habilidade de criar personagens tão absurdamente cativantes, que mesmo na segunda metade você consegue acompanhar a história do casal com muita satisfação – só acho que ela deveria ter sido um pouco mais dramática, para se equiparar a uma luta até a morte contra um monstro terrível. Um casamento em jogo não possui o mesmo impacto que uma vida em risco.
Pontuação: 859. Ótimo, se você aceitar a proposta.