Segundo volume das Crônicas de Gelo e Fogo, livros de fantasia com um certo teor realista, pelo menos quanto a violência e sexo.

© Bantam Books
Westeros é composta por sete reinos governados por um único rei. Pelo menos este era o caso no livro anterior, mas agora uma guerra civil está arrasando todo o continente enquanto cinco pessoas diferentes clamam a coroa. Após a morte do monarca e de sua Mão (uma espécie de primeiro-ministro), o príncipe Joffrey, herdeiro do rei Robert, ganhou o cargo, mas ninguém ficou muito satisfeito com isso, inclusive parte de sua família. Seus tios Stannis e Renly ambos se declaram herdeiros legítimos do falecido, enquanto o filho da Mão (ops!), Robb, acabou sendo aclamado rei enquanto liderava uma campanha militar para vingar seu pai. E por último um sujeito chamado Balon quer ser reconhecido como um tipo de rei no mar. Explicado o título?
Enquanto o miolo da trama acontece nesses reinos se auto-destruindo, em outros dois locais ameaças muito mais graves estão surgindo, e ao mesmo tempo explicando porque essa série pertence ao gênero fantasia. Ao norte, aonde um dos piores invernos já registrados está se formando, temos mortos-vivos, gigantes e estranhos animais organizando um exército com humanos selvagens, enquanto em um continente ao leste uma das últimas descendentes da dinastia real que foi expulsa de Westeros há mais de uma década está juntando um exército para fazer companhia aos seus três dragões recém-nascidos. Ambos lados, provavelmente ignorando a existência um do outro, se movem contra os sete reinos.
Bran, child, why do you torment yourself so? One day you may do some of these things, but now you are only a boy of eight. pg. 75
Por que ler?
Pela violência, pela trama complexa e coerente, e pelo Tyrion Lannister, é claro. Martin deve ter um mapa gigantesco em sua casa onde traça todo o desenrolar das 10 ou 20 tramas diferentes acontecendo ao mesmo tempo no livro, e aposto que enquanto estava bolando este segundo volume (de cinco publicados, mais um sexto anunciado) o treco já devia estar quase todo preenchido. Todas as narrativas do livro anterior são expandidas nesse, ou ganham alguma reviravolta ou até mesmo se juntam a outras. Enquanto ficar pulando de ponto de vista a cada capítulo pode parecer esquisito, os personagens todos são interessantes o suficiente para não aborrecer o leitor.
Claro que o parágrafo acima pode não ser visto apenas como um elogio. Creio que até este ponto as únicas tramas que chegam a uma conclusão devem o mérito ao falecimento do seu narrador. Praticamente nada termina, o que vai exigir um compromisso e tanto do leitor em continuar lendo e depois esperar sabe-se lá quanto anos por um desfecho. O volume mais recente levou mais de seis anos para ser publicado, e o autor não é exatamente jovem ou muito saudável. Mas fora o desafio de encarar umas três ou quatro mil páginas, a obra é ótima. Digamos apenas que exagera um pouco na violência (sexual inclusive) contra personagens femininas não narradoras, mas a ideia deve ser exaltar os males da guerra e talvez deixar o livro mais realista. Ou apenas vender mais exemplares? Vamos ver como isso fica no terceiro.
A Clash of Kings
George R. R. Martin
Bantam Books
1009 páginas
R$ 18
Aplaudo a editora Leya, mas o preço de um pocket book em inglês é imbatível.